[ editar artigo]

Programa Mini Master Gonew: primeiros insights

Programa Mini Master Gonew: primeiros insights

Entre maio e junho de 2020, realizamos em Gonew.co uma pesquisa com estudantes de todo o Brasil com o objetivo de compreender melhor a visão dos jovens em relação às temáticas de empreendedorismo, inovação e governança. Os resultados serão inspiradores e direcionadores para a elaboração de materiais que pretendemos desenvolver dentro da comunidade Governança & Nova Economia, num projeto voluntário e sem fins lucrativos que chamamos de “Mini Masters”.

Foram 252 participantes, com idade entre 13 e 18 anos, que responderam a 19 perguntas objetivas e descritivas. 55% dos respondentes eram de colégios particulares e 45% eram oriundos de instituições de ensino públicas. Alguns resultados preliminares da pesquisa:

  1. Em pergunta com possibilidade de resposta aberta sobre quem são as pessoas que mais influenciam e inspiram os jovens, 88% responderam que é a família, 43% afirmaram que são os colegas e 32% pontuaram que é algum artista;
  2. Sobre o local e as pessoas com quem eles mais aprendem, com a possibilidade de escolher 2 alternativas, 76% das respostas apontaram a escola, 44% assinalaram a família e 27% os amigos;
  3. Para 40% dos respondentes, a principal ocupação que desejam ter quando forem adultos é cuidar do próprio negócio;
  4. Ao serem questionados sobre como lidam com o erro, 60% disseram aceitar os próprios erros e que buscam aprender com eles.

Contextualizando a juventude e a conectividade    

Segundo pesquisa realizada pela da TIC Kids Online Brasil 2018, divulgada em setembro de 2019 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), cerca de 24,3 milhões de crianças e adolescentes, com idade entre 9 e 17 anos, são usuários de Internet no Brasil.

O montante corresponde a cerca de 86% do total de pessoas dessa faixa etária no país – esse percentual é maior do que os 70% da média do Brasil.

Família

Vivamos uma época de hiperexposição, na qual estamos formando “conectopatas” e “compartilhopatas”. Observa-se, porém, que mesmo tendo acesso aos mais diversos conteúdos e influenciadores digitais, a família ainda possui papel fundamental na construção intelectual e na formação do jovem.

Constata-se que a antiga frase “a escola informa, mas é o lar que forma” tem valor e significados atemporais. Pais e responsáveis exercem um papel indelegável de criar um ambiente onde os valores de uma sociedade saudável são apresentados e vividos no lar, formando cidadãos responsáveis (ou não).

Aprendizagem e empreendedorismo

Saber que o lugar onde eles mais aprendem, segundo 76% das respostas, continua sendo a sala de aula nos traz certo alívio, pois tendemos a pensar que os jovens consideram que aprendem mais na Internet.

Ao mesmo tempo, o conteúdo ao qual eles têm acesso nas salas de aula nos preocupa. Cerca de 40% dos jovens que participaram da pesquisa disseram querer ser donos do próprio negócio, ou seja, vislumbram empreender. Em nosso currículo básico escolar, porém, temos sérias deficiências. Cite-se a vergonhosa posição do Brasil entre os 20 últimos países, de um total de 70 avaliados, no ranking do PISA de 2018. Então, o que esperar em relação aos assuntos ligados ao empreendedorismo e à inovação?

Se por um lado temos pouca ou nenhuma base teórica para empreender, nós, brasileiros possuímos um espírito empreendedor natural acima da média mundial. Foi o que mostrou a pesquisa “Empreendedorismo no Brasil – Relatório Executivo 2019”, com dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Este levantamento apontou que a taxa de empreendedorismo no Brasil é de 38% entre a população de 18 a 64 anos, o que equivale a aproximadamente 52 milhões de pessoas. O principal fator motivador para empreender no país é a escassez de emprego.

Outros dois dados interessantes de citar: para as taxas de Empreendedorismo Inicial (negócios com até 3,5 anos de existência), o Brasil está em 4º lugar entre os 55 países que participaram do levantamento, o que nos coloca à frente de países do BRICS, EUA, Colômbia, México e Alemanha. E considerando a Taxa de Empreendedores Estabelecidos (negócios com mais de 3,5 anos de existência), o Brasil apresenta a 2ª maior marca global, à frente do BRICS e de países como EUA, México e Alemanha. Destaque semelhante é o alcançado com a Taxa Total de Empreendedorismo, onde o Brasil se apresenta como 4º no ranking mundial.

Se já contamos com cerca de 52 milhões de empreendedores e, adicionalmente, temos uma população de 12 milhões de jovens, que sabemos que possuem o desejo de empreender, a grande pergunta que fica é: como vamos preparar melhor nossos jovens para que prosperem em seus negócios e tenham sucesso?

Nesse aspecto, todos têm seu papel de importância: o Estado e suas entidades, por meio de estratégias, políticas, leis e ações abrangentes; as escolas; e o setor privado – e é aí que entra a Gonew.

Pretendemos ser mais um ator nesse cenário, assumindo um papel de protagonista para desenvolver, disponibilizar e divulgar materiais (ebooks, cartilhas, vídeos, áudios, podcasts, entre outros) para os jovens que pretendem empreender. O intuito é prover uma base teórica que possa despertar e provocar as competências e habilidades necessárias relativas a temas como governança, empreendedorismo e inovação, para que os jovens possam ter mais ferramentas que os auxiliem a transformar seus sonhos em realidade.

Aceitação ao erro

Errar é fator imprescindível para crescer pessoalmente, profissionalmente e, principalmente, empreender. Aparentemente, nossos jovens têm essa consciência, visto que 60% deles toleram o erro e o encaram como fator de aprendizado. Isso é essencial, pois um dos mantras das startups é: teste hipóteses, erre rápido, aprenda rápido e melhore seu produto, processo ou serviço a cada ciclo, de modo veloz.

Todos os drives instalados         

Podemos concluir que temos importantes variáveis para criar um país ainda mais empreendedor, com negócios e produtos inovadores. O brasileiro tem vocação, vontade e não tem medo de errar. O que nos falta é um pouco mais de preparo e um ambiente de negócios favorável. Cabe a cada ator dessa engrenagem atuar para o sucesso dessa jornada.

Nós faremos a nossa parte!

Governança & Nova Economia
Marc Robert Reydams
Marc Robert Reydams Seguir

Engenheiro apaixonado pelo desenvolvimento de novos negócios e produtos inteligentes e conectados.

Ler matéria completa
Indicados para você