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Como mentores e/ou advisors devem ser

Como mentores e/ou advisors devem ser

Mentores e advisors são profissionais que passaram a ser cada vez mais procurados por aceleradoras, incubadoras e também angel, seed e venture capital para startups. Também começam a fazer parte do esforço interno de algumas empresas tradicionais para que melhores resultados sejam alcançados pelos seus gestores e profissionais.

Minha primeira experiência com mentorship começou ainda na metade dos anos 90, dentro de uma renomada empresa internacional de consultoria na qual fui “mentorado” e também mentor. Foi quando comecei a aprender e entender que mentorship e advisory eram (quase) mais arte do que ciência, ainda que tenham estruturações de base científica. Depois disto, mesmo realizando muitas outras atividades, sempre continuei como mentor e “mentorado” até os dias de hoje.

Precisamos entender qual é o papel de um mentor e/ou de um advisor e como medir o sucesso de seu trabalho.

Este papel é similar ao de um pai ou mãe orientando um filho para ter sucesso na vida pessoal e profissional. Bons pais ou boas mães não são aqueles que dizem, ou mesmo ditam, o que um filho ou filha precisa fazer, o tipo de carreira que devem seguir, qual homem ou mulher escolher como marido ou esposa, onde estudar, etc.

O papel de pais e mães é ajudar os filhos a serem bem-sucedidos nas escolhas que estes fizerem, fazendo perguntas apropriadas para ajudá-los a pensar, facilitando um maior conhecimento e vivência em diferentes profissões que desejem seguir, expondo-os aos mais variados tipos de pessoas de todas as classes sociais.

Por exemplo, se um filho ou uma filha de um grande empresário ou de um renomado executivo decidir ser um atleta, cabe ao empresário ou executivo orientá-lo e ajudá-lo a ser o mais bem-sucedido atleta possível. Mas a escolha e decisão final deve ser sempre deste filho ou filha, pois será ele ou ela que irá conviver com suas escolhas.

Neste sentido, pais, mentores e advisors, deveriam ser menos cristãos e mais budistas. O cristianismo diz que Jesus Cristo veio ao mundo nos salvar; o budismo diz que Buda indica os caminhos possíveis para a pessoa escolher como salvar ela mesma.

Como mentores e advisors de startups devemos então ouvir muito o que empreendedores de startups têm como princípios, quais as expectativas destes com o negócio e como pretendem se dedicar a ele. Para isto, é fundamental inicialmente uma conversa estruturada com cada pessoa envolvida na startup, através de diversas perguntas abertas e fechadas. Estas devem ser previamente “pensadas”/preparadas através de um roteiro, para formar um entendimento inicial.

Mentorship e Advisory são conversas, debates e reuniões sobre assuntos ligados ao negócio e a jornada do “mentorado” no negócio e na empresa. O papel do mentor é ajudar o “mentorado” a olhar por outras perspectivas, a formular as perguntas certas e obter as respostas adequadas a estas perguntas e assim validar pontos do “mentorado” através de exemplos. É mostrar alternativas para se atingir as expectativas sobre o negócio e sua vida, tais como expressas pelo “mentorado”.

A partir deste entendimento inicial, a cada nova iniciativa ou decisão necessária, mentores e advisors deverão ouvir os “mentorados” e voltar a fazer perguntas para que estes “mentorados” continuem alinhados com seus princípios, expectativas e entregas. Deverão ainda indicar quais caminhos podem vir a ser seguidos pelos “mentorados” na busca de suas expectativas.

Mentores e advisors NUNCA devem dizer (e pior ainda impor) a seus “mentorados” o que fazer.

O mesmo tipo de esforço se aplica para mentores dentro de uma empresa tradicional. O papel destes é fazer as perguntas certas e indicar as alternativas possíveis para seus “mentorados” serem bem-sucedidos.

O sucesso dos “mentorados”, alcançando suas expectativas, é o resultado do trabalho e sucesso de mentores e advisors. Tal como o sucesso dos pais em relação aos filhos é medido (e percebido) pelo sucesso dos filhos.

Vamos voltar a lembrar do cristianismo e budismo. Mentores e advisors precisam ser budistas nesta atividade. Perguntem, façam seus “mentorados” pensar e refletir, indiquem caminhos alternativos, mas... deixem seus “mentorados” decidir. A vida é deles e serão eles que irão conviver com as decisões tomadas!

Finalmente, uma indagação provocadora: será que Conselheiros de Administração no futuro dedicarão seu tempo muito mais como mentores e advisors, tanto dos gestores como dos acionistas, do que com oversight e compliance? 

Bem, vamos deixar esta discussão para um futuro artigo.

Governança & Nova Economia
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