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A força inovadora da solidariedade

A força inovadora da solidariedade

“Evoluímos cinco anos em alguns dias!"                                                              

Neste momento tão difícil que estamos vivendo, com frequência temos ouvido pessoas entusiasmadas com a inovação. Há exemplos de agilidade na implementação de novos canais de venda, lançamento de produtos e serviços, arquitetura de hospitais e plataformas EAD funcionando 24x7.  Até as máscaras já foram para o mercado da moda. Mas onde está a real inovação brasileira?

Marcos Kisil, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que "a pandemia de Covid-19 apresenta grandes desafios políticos, científicos, sociais, econômicos e de saúde pública". Centrifugando a frase do médico, ficam no sobrenadante a crise econômica e as frentes emergenciais no cuidado com saúde. No sedimento, concentram-se as pessoas, a única relação direta do coronavírus.

O vírus nos sensibiliza por ser cúmplice da morte de um idoso, amedronta quem é do grupo de risco, nos aprisiona quanto aos prazeres e calores externos, nos obriga a novos hábitos e pode até sequestrar nosso dinheiro. E neste chacoalhão de vida, as pessoas se uniram pela solidariedade. Surge uma nova cultura de filantropia no Brasil: foram mais de R$ 6 bilhões doados até agora.

Apontamos algumas tendências mapeadas na filantropia surgida com o Covid-19: a rápida adaptação de organizações e empresários para doar itens como álcool gel e máscaras; as lives que viraram o novo Teleton; a "filantropia de risco", ainda tímida, que traz a cultura ágil e o pensamento de startup, um retorno sobre investimento exponencialmente maior do que o "enxuga gelo" das soluções emergenciais; o ISP; doações como parte da estratégia de gente grande, como Itáu, JBS e grupos familiares, remanejando a verba de marketing.

Existe um ciclo no marketing que deve ser reinventado. O investimento hoje se concentra em vender o produto, enquanto o novo consumidor clama por propósito. As empresas reagem fomentando campanhas com posicionamento de marca, mas que, de concreto, nada retornam à sociedade. Óbvio que as verbas para venda continuarão firmes, mas parte delas vai migrar. o Covid-19 veio para acelerar uma reinvenção.

Uma inovação particular no Brasil diz respeito às empregadas domésticas. Um processo ganha-ganha uniu startup, multinacional de consumo e marketplace. O projeto, liderado pela Reckitt Benckiser, doou auxílios de R$ 500 e produtos Veja - com o apoio da Magalu, por meio de vouchers para compra de qualquer produto em seu site - usando como parceira a base de trabalhadoras domésticas da Mary Help. As interfaces de relacionamento eram simples. Que sacada do bem! A Veja conseguiu promover a experimentação de seus produtos nas maiores shoppers indiretas. Vamos combinar: quem aqui desautoriza essas autoridades do lar? O Magazine Luiza se beneficia dessa mesma lealdade e ganha uma base de potenciais consumidoras. Para a Mary Help, trata-se do fundamento de seu negócio na veia: crescimento de base.

Fica aqui uma centelha de esperança: que o aprendizado advindo desta pandemia se concretize em uma sociedade sensibilizada pela dor, mas também, acima de tudo, pela força da solidariedade; unindo o que cada um traz de melhor e gerando impacto positivo.

“Que seja para ficar em todos os dias a nossa evolução de cinco anos.”

Por Cristina Tuna, Rebecca Pascuas, Yuri Sonoda e Felipe Hanszmann

Masters Advisors

Governança & Nova Economia
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