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Sem inovação, empresas caminham para a irrelevância

Sem inovação, empresas caminham para a irrelevância

Vivemos tempos incertos, isso é claro. O curto prazo, que até pouco atrás significava um prazo de 12 meses, hoje é até o final da semana. Semana que vem é o médio prazo. E daqui a duas semanas chega o longo prazo. O que antes era três anos ou mais hoje não passa de uma ou duas semanas em tempos de planejamento e execução.

Isso é resultado, claro, da chegada de uma condição externa preocupante e desconhecida, que mexe com um dos aspectos mais fundamentais do ser humano: sua saúde e de seus familiares. Ninguém consegue negar que a Covid-19 mudou completamente o campo de batalha da guerra diária dos negócios e das empresas.

Com as transformações intensas e largamente imprevisíveis que vieram juntamente com a nova doença, bruscas também foram a aceleração das decisões e as mudanças de rumo nas empresas. Via de regra, quanto maior a empresa, maiores a inércia e as dificuldades de mudar seus processos, seus produtos e, finalmente, seu rumo.

Assim, em tempos de incertezas, as grandes empresas sempre são mais lentas e mais propensas a sentirem os efeitos dos atrasos nas necessárias mudanças para ao menos preservar (e quiçá ampliar) seus negócios. E não faltam meios para isso: seja por conta das suas amarras, seus processos, compliance, hierarquia inflexível (e suas diretorias e seus conselhos), suas análises de riscos, reuniões improdutivas até seus relatórios e sistemas de controle.

Similares aos processos e ações necessários para se conformar (e combater) os pontos negativos que vêm junto com desastres como a Covid-19, temos nas corporações os processos e ações necessárias para que se consiga implantar eficientes processos e metodologias para a inovação. Similares pois as suas situações são de incerteza, de decisões que podem ou não ter os melhores resultados de diversos riscos envolvidos.

Mas a inovação, potencialmente diferentemente da catástrofe, pode também trazer o que todo bom gestor e todo acionista e dono de empresa espera: o crescimento e a perenização da sua empresa e do seu negócio.

A inovação nas empresas não é exclusiva do seu core business, ou dos produtos que ela oferece ao mercado. Ela também possui papel relevante nos seus processos internos e em todos os setores e todas as tarefas que compõe o dia a dia de um negócio. Obviamente nos produtos ofertados ao mercado ela aparece com mais foco e, a depender do departamento de marketing, com mais estardalhaço. Pois a oferta de novos produtos é um processo que envolve necessariamente alguma etapa de inovação.

Sem inovação, o mesmo produto que consagrou a empresa é o que seria eternamente oferecido, sem qualquer melhoria ou reação às mudanças do mundo e do mercado consumidor. Sem a incorporação de novas descobertas e melhorias, qualquer produto fica obsoleto com o passar do tempo, alguns mais rápidos, outros mais devagar. E com a obsolescência dos seus produtos, parados no tempo, fica também obsoleta a empresa como um todo.

Assim, sem inovar, as empresas perdem a relevância e mesmo que paulatinamente, perdem seus clientes, seus produtos e sua presença no mercado. Sem inovação, as empresas caminham para a irrelevância e inexorável morte dos seus negócios.

Para as empresas e os negócios, não existem tempos certos. O futuro de qualquer empresa não está escrito em pedra, e mesmo as mais tradicionais e mais estáveis vivem incertezas e precisam a todo o momento reavaliar sua situação e a situação do mundo e do mercado onde elas se inserem, para corrigirem seus rumos, se protegerem de mudanças indesejadas e tomar proveito de oportunidades percebidas.

E, no final das contas, é esse o exato papel principal da inovação nas empresas: garantir que elas sejam relevantes para seus clientes e stakeholders no longo prazo.

Por Marco Poli

Publicado originalmente na Gazeta do Povo.

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